Juros: o que são, quais os diferentes tipos e como lidar com eles

Se você não pagar a compra na hora, no débito ou em dinheiro ou cheque, pode ter certeza que estará pagando juros

Ainda que nem todo mundo saiba qual é o real significado da palavra “juros”, a maioria das pessoas sente seus efeitos em qualquer compra parcelada que faz. Se você não pagar a compra na hora, no débito ou em dinheiro, pode ter certeza que estará pagando juros. Isso porque quando uma pessoa faz um parcelamento no cartão de crédito – pode ser apenas em duas vezes –, na verdade não está usando seu próprio dinheiro, mas, sim, pegando emprestado uma determinada quantia de um banco ou uma financeira para realizar o negócio. Nesse caso, a instituição financeira cobra uma taxa.


“O juro é a remuneração cobrada pelo empréstimo. Então, pode ser entendido como o 'aluguel' do dinheiro que você usou para comprar um sapato ou financiar sua casa”, explica Reinaldo Domingos, especialista da DSOP Educação Financeira. A taxa de juro é calculada de acordo com fatores, como o risco agregado ao empréstimo, que é o "calote". Nesse caso, quanto maior o risco de não haver retorno do capital emprestado, maior a taxa. Outro fator que pesa é a inflação. Quando em alta, a inflação empurra os juros para cima e o preço do “aluguel” pelo dinheiro também sobe.

Para cada negócio, um tipo de juros
Veja as modalidades de juros que existem no mercado financeiro:

Juros simples: são calculados apenas sobre o valor do montante do empréstimo. Por exemplo: você empresta R$ 1.200,00 para pagar em 10 meses, a uma taxa de juros simples de 2% ao mês. Ao final, pagará não só os R$ 1.200,00 que recebeu, mas um total de R$ 1.440,00, sendo que R$ 240,00 são os juros equivalentes a 2% do total emprestado cobrados pelo empréstimo.

Juros compostos: são cobrados também por um determinado período. Depois, as taxas são somadas ao capital inicial, para fazer novas contas. Usando o exemplo acima: os juros compostos recairão sobre R$ 1.440,00 e não R$ 1.200,00 (o valor real do empréstimo), como é o caso dos juros simples. “É juros sobre juros. O reajuste é feito levando-se em conta o número de parcelas. Quanto mais vezes, maior o montante de juros”, diz Reinaldo Domingos. Essa modalidade é usada com frequência nas transações financeiras e comerciais.

Juros de mora: conhecido como juros de atraso, são as taxas cobradas quando você deixa de pagar uma conta no dia certo, seja do cartão de crédito, dos impostos, de boletos ou qualquer outra conta de consumo ou de compra parcelada. O Código de Defesa do Consumidor limita esse juro a, no máximo, 2%.

Juros nominais: são definidos em contrato, sem levar em consideração a inflação. Por exemplo: se você faz uma aplicação financeira de R$ 1.000,00 por um ano, com juros nominais de 10%, depois de 12 meses receberá de volta R$ 1.100,00.

Juros reais: estão ligados ao fator inflação. Usando o exemplo acima: se a inflação do ano foi de 4%, nesse caso, em vez de lucrar os 10% dos juros nominais (ou R$ 100,00), seu investimento vai valorizar apenas R$ 60,00 (ou 6%), pois os R$ 40,00 restantes foram “comidos” pela inflação.  
Juros rotativos: são as taxas cobradas quando a fatura do cartão de crédito não é paga em sua totalidade. Por exemplo: se a fatura é de R$ 200,00 e você só paga R$ 100,00, sobre os R$ 100,00 restantes a administradora do cartão aplicará os juros rotativos, um tipo de financiamento automático no qual os juros podem chegar a até 17% ao mês. “Esses juros são os mais cruéis e podem, facilmente, levar uma pessoa ao endividamento”, completa o educador financeiro.

Como se livrar deles
De acordo com Reinaldo Domingos, só há um jeito: “Não parcele compras, não faça financiamento nem empréstimo”. Mas, obviamente, não é possível seguir à risca essa orientação. Por isso, tome alguns cuidados:

- Salde suas contas rigorosamente em dia para não ter de pagar juros de mora.
- Fuja do crédito rotativo. Para isso, é fundamental planejar seus gastos e usar o cartão de crédito só quando tiver certeza de que poderá pagar a fatura inteira.
- Procure esquecer que seu cheque especial existe. Os juros desse tipo de crédito, somados às taxas do cartão de crédito, são capazes de levar qualquer um à inadimplência.
- Não se esqueça de que quanto maior for o prazo para pagar seu financiamento, maiores serão os juros embutidos ao final. Ao financiar um carro em 60 meses, por exemplo, não raro o consumidor paga mais da metade do valor inicial do carro só de juros.

Tags: juros matemática financeira

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