Negocie as dívidas do cartão de crédito

Quase 70% das dívidas dos brasileiros são faturas de cartões que não são quitadas

O cartão de crédito é, atualmente, a principal causa de endividamento entre as famílias brasileiras, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo. Quase 70% das dívidas dos brasileiros são faturas de cartões que não são quitadas. “Isso acontece porque hoje é muito fácil ter mais de um cartão. Além disso, existe a possibilidade de continuar consumindo mesmo com dívidas, quando se faz apenas o pagamento mínimo da fatura”, explica a advogada Tatiana Viola de Queiroz, da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor).

Se você está com dívidas no cartão de crédito, a primeira providência a tomar é parar de gastar. Procure a empresa que emitiu o cartão (pode ser uma loja de departamentos, um banco, uma financeira, etc) e solicite o parcelamento da dívida e dos juros cobrados. “A empresa não é obrigada a concordar com o parcelamento. No entanto, a maioria delas acata o pedido do consumidor e negocia”, diz Tatiana. Esse contato pode ser feito por meio do serviço de atendimento ao cliente (SAC) da administradora do cartão. Durante a conversa é importante tirar dúvidas, anotar o dia e a hora do atendimento, o nome do atendente e o protocolo gerado. Esses dados podem ser importantes no futuro, caso uma das duas partes não cumpra o combinado.

Nessa negociação, o ideal é parcelar as dívidas no menor número de vezes possível, para que o valor final não seja muito alto. Quanto mais parcelas, maiores também serão os juros cobrados. “Muitas vezes a empresa faz um acordo com características de refinanciamento. Ela aumenta as taxas e o consumidor acaba pagando muito mais”, alerta Renata Reis, supervisora da área de assuntos financeiros da Fundação Procon-SP.

Se seu nome foi parar nos cadastros de órgãos de proteção ao crédito, como SPC/Serasa, por causa da dívida com a empresa do cartão de crédito, você pode exigir a retirada após o pagamento da primeira parcela do acordo. O prazo para que isso aconteça é de até cinco dias úteis.

Um plano B
Mas se não foi possível negociar com a administradora, é hora de procurar um órgão de defesa do consumidor para intermediar essa conversa. A ajuda é ainda mais valiosa nos casos em que a empresa que emitiu o cartão transfere a responsabilidade pela cobrança para uma terceirizada.

Por outro lado, quando as condições da emissora do cartão de crédito para o pagamento da dívida não condizem com o seu orçamento, uma possibilidade é procurar uma instituição financeira e pedir um empréstimo pessoal. “Essas linhas de crédito oferecem as menores taxas do mercado, bem menores que as do cheque especial e do cartão de crédito. Assim, você pode parcelar o empréstimo pagando juros bem menores, e quitar à vista o valor pendente do cartão”, ensina Renata. Os dias de atraso no pagamento da fatura do cartão geram cobrança de juros e, por isso, é fundamental tomar uma providência o mais rápido possível.

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