3 estratégias para ensinar seu filho a lidar com dinheiro

Educação financeira desde cedo gera adultos mais conscientes

Pagar impostos, fazer compras no supermercado, financiar um imóvel ou simplesmente comprar um lanche no recreio da escola. Sim, você vai ter que lidar com dinheiro por toda a sua vida, e é bom começar a preparar seus filhos para essa realidade desde cedo. Mas como você deve fazer isso?

Segundo especialistas, não existe uma fórmula mágica para introduzir a educação financeira na vida das crianças. A idade mais indicada para que os pequenos recebam suas primeiras lições sobre o tema é a partir dos seis anos, quando geralmente eles estão começando a se alfabetizar.

1. Entre no universo infantil, não o contrário
O principal erro dos pais é tentar trazer a criança para a realidade adulta na hora de falar sobre dinheiro. Nunca faça isso, enfatiza o educador financeiro Álvaro Modernell, sócio da Mais Ativos. “Há uma tendência de querer tratar as crianças como miniadultos na hora de falar com elas sobre dinheiro, o que está errado”, diz.

Não adianta querer abordar o assunto quando chega uma conta de luz ou na hora de pagar a conta do restaurante. É a própria criança que vai determinar o timing em que a educação financeira deverá ser abordada. Por exemplo, quando ela pedir para comprar um brinquedo ou um lanche em um momento inadequado.

“Se ela quebrar um brinquedo, os pais não podem rapidamente substituí-lo por outro como se nada tivesse acontecido. Assim, ela começará, aos poucos, a dar valor ao dinheiro que foi gasto por aquele objeto”, afirma Modernell. “É importante explicar isso de uma forma simples. Quanto mais lúdica a explicação, maior a chance de a ideia emplacar.”

Gabriel Gutierrez, superintendente de previdência da Lockton Brasil, lembra que os pais também não devem adotar o costume de sempre dar presentes às crianças fora de ocasiões específicas, como aniversário ou Natal.

“Se fizer isso, você vai descaracterizar para a criança o que é presente. Ela precisa ter o sonho, o desejo de esperar pelo aniversário para receber aquele objeto que está querendo. Não dá para ter tudo o quer toda hora”, afirma. Lembre-se de que as crianças se espelham sempre nos exemplos que têm em casa. Se os pais forem muito consumistas, elas tendem a ser também, diz Gutierrez.

2. A criança tem que ter o dinheiro dela
Quando as crianças já tiverem recebido as primeiras noções do valor do dinheiro, é hora de começarem a ter seus próprios recursos. É nesse momento que as mesadas ou semanadas entram em jogo. Também é nessa hora que surge uma das principais dúvidas dos pais: quanto devo dar de dinheiro aos meus filhos?

“Não há uma regra para isso. Vai depender do estilo de vida da família, da condição dos pais e da realidade de cada criança”, diz Modernell. “O que eu recomendo é que, se os pais estão em dúvida, por exemplo, se dão 10 reais ou 15 reais por semana aos filhos, eles devem optar sempre pelo menor valor”, completa.

Isso porque é, sem dúvida, muito mais fácil subir o valor da mesada/semanada lá na frente do que reduzi-lo. “Além disso, deixar que as crianças com menos recursos também vai forçá-las a controlar melhor seus gastos, o que acaba sendo positivo”, explica o educador financeiro.

Aqui também vale a regra de não exagerar, seja para mais ou para menos. “Não adianta dar pouco dinheiro para uma criança acostumada com uma vida de luxo e também não adianta dar muito dinheiro, porque, assim, a mesada/semanada vai perder seu papel de fazê-la aprender a controlar seus próprios recursos”, diz Gutierrez da Lockton.

É uma preparação para o futuro, quando ela vai se tornar adulta e entrar no mercado de trabalho para receber salário.

3. Guarde agora e seja recompensado depois
A última estratégia é talvez uma das mais importantes – e difíceis. É hora de ensinar aos seus filhos a noção de que quanto mais eles pouparem, mais dinheiro terão lá na frente e, consequentemente, mais coisas poderão fazer com ele.

“É difícil porque a criança é muito imediatista. Quer aquele brinquedo ou aquela roupa na hora. Mas o papel dos pais é mostrar que, se ela conseguir resistir à vontade de ter aquilo, poderá, mais para frente, ter algo muito maior ou melhor”, afirma Gutierrez. “Isso tem que ser feito aos poucos, com calma, mas não pode deixar de ser feito. Muitas pessoas adultas ainda não têm essa percepção”.

Uma saída interessante é virar o jogo: em vez de você assumir para si o papel de mostrar aos filhos a importância de poupar dinheiro, crie uma situação em que eles serão forçados a pensar no assunto.

“Vou te dar um exemplo com meus filhos. Sempre que eles iam comigo a uma padaria, pediam para eu comprar um picolé da marca mais cara. Eu comprava. Mas um dia resolvi fazer um teste: em vez de comprar o sorvete, dei 10 reais para cada um e falei para eles escolherem o que eles queriam e que o troco seria deles. Conclusão: eles pegaram os sorvetes mais baratos”, conta Modernell, da Mais Ativos.

Fonte: Exame

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