A intrínseca relação entre consumir e se sentir bem

O ato de comprar está intimamente ligado com o prazer, pagar nem tanto

Quem nunca fez aquelas comprinhas para aliviar o estresse que atire a primeira pedra. Esse hábito faz parte da vida de muitos e volte e meia é tema de filmes e séries.

O brasileiro não é diferente, já se acostumou com a ação de comprar compulsivamente. Em estudo realizado em 2018, a oitava edição da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, Brasília, por exemplo, que é a capital do menor estado do Brasil, desponta com o 5º maior porcentual do Brasil de famílias endividadas. Atrás de Curitiba/PR (91%), Boa Vista/RR (83%), Florianópolis/SC (80%) e Natal/RN (79%), a Capital Federal aparece com os mesmos 79% da capital potiguar. Em números absolutos, 731.692 famílias do Distrito Federal estão endividas.

Mas o que esses números nos dizem? Além de apontar o delicado período econômico que o país atravessa, os dados registrados no estudo revelam também que o brasileiro, mais do que nunca, se tornou refém do consumismo compulsivo.

É comum que as pessoas utilizem shoppings e outros centros comerciais como analgésicos para dores e problemas interiores mais profundos. Quando se sentem deprimidos, por exemplo, alguns indivíduos tendem a gastar dinheiro compulsivamente como uma forma involuntária de compensar sentimentos negativos, como baixa autoestima, tristeza e outros vazios emocionais. Temporariamente, novas aquisições como uma roupa da moda ou um acessório de marca podem reduzir essas sensações.

Com a facilidade encontrada hoje em dia no que diz respeito a fazer cartões de crédito e outras formas de gastar dinheiro sem necessariamente ter, a possibilidade de endividar-se aumenta consideravelmente. Junte essa facilidade de comprar e consumir a pressão exercida pelo marketing das grandes empresas e coloque na frente de um consumidor compulsivo e pronto: eis mais uma pessoa endividada no Brasil.

A química explica

Martin Lindstorm, autor dinamarquês eleito pela Revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, comandou uma pesquisa que durou três anos, envolvendo 200 pesquisadores e mais de 2 mil voluntários para descobrir os mistérios do consumo.

Custando aproximadamente US$ 7 milhões, o estudo se transformou no seu maior livro de sucesso, Buyology, vendido no Brasil como “A Lógica do Consumo – Verdade e Mentiras sobre Por que Compramos” (ed. Nova Fronteira), no qual Martin constatou que o ato de comprar é capaz de estimular o cérebro a liberar dopamina, substância química ligada ao prazer. Ou seja, a felicidade de se comprar algo novo não é meramente social ou psicológica, mas química também. É justamente por esse motivo que pessoas tendem a gastar dinheiro em períodos de depressão ou insegurança.

No momento em que pessoas gastam dinheiro de maneira compulsiva, enquanto passam por lojas chamativas e de promoções atraentes, elas podem estar em busca de preencher um vazio pessoal e emocional de maneira involuntária, de modo que a satisfação em comprar torna-se grande o suficiente para causar alegria a elas. Porém, a alegria acaba assim que a fatura do cartão de crédito chega na caixa de correio.

Você tem o hábito de comprar quando está triste? Já saiu do controle por conta disso? Deixe sua opinião nos comentários.

Tags: bemestar consumo finanças

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