Aposentadoria não é sinônimo de férias

A cada dia, cresce o número de brasileiros que seguem na ativa mesmo depois de se aposentarem


O perfil do aposentado vem mudando muito nos últimos anos. Aquela imagem de uma terceira idade inativa tem dado lugar a uma outra, que é muito mais real: a de pessoas cheias de experiência, planos e energia. Atualmente, mais da metade dos brasileiros pensa em continuar a trabalhar depois de se aposentar, apenas diminuindo a jornada. Isso é o que constatou um recente estudo que envolveu 16 mil pessoas de 15 países, incluindo o Brasil. A pesquisa foi realizada pela Transamerica Institute, organização sem fins lucrativos, em parceria com a consultoria Cicero e a seguradora Aegon.

Se você se enquadra nesse perfil, ao atingir os pré-requisitos, pode se aposentar pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e passar a investir o benefício mensal em uma previdência privada. “Não há dificuldades para se fazer isso, basta querer e aplicar a quantia em um plano de previdência que seja do tipo CD, ou seja, contribuição definida”, explica Roberto Mohamed, advogado especialista em previdência e mestre pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ao optar por esse caminho, o cidadão contará com duas rendas no momento em que decidir parar de trabalhar definitivamente. Essa opção, de acordo com Luciana Rodrigues de Moraes, advogada especialista em direitos e garantias constitucionais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, oferece mais estabilidade. “O indivíduo não dependerá exclusivamente do INSS e de qualquer política legislativa que envolva a Previdência Social, o que é um diferencial em meio a um cenário instável”, salienta.

Mas nem todos podem fazer essa escolha. Pessoas que trabalham em regime estatutário, considerados funcionários públicos, não estão aptos a manter sua atividade profissional após aposentadoria pelo INSS, o que dificulta aplicar esse recurso em uma previdência privada.

Optar por deixar de contribuir com o INSS para aplicar o valor exclusivamente em uma previdência privada também não é uma opção possível para a maioria. “Isso só é opcional no caso daquele indivíduo que tem sua renda a partir da informalidade, que não está regularizado em nenhuma categoria, ou ainda em casos em que a lei preveja a isenção. Para todos os demais, a contribuição ao INSS é obrigatória”, esclarece Luciana.

 

Tags: aposentadoria INSS investimentos previdência complementar

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