Crianças consumistas: limites e bons exemplos devem partir dos pais

Descubra se seu filho é consumista e entenda o que deve ser mudado

“Um dos maiores desafios da contemporaneidade é reverter o cenário atual: antes de sermos formados para a cidadania, somos treinados a consumir de forma desenfreada”. O trecho acima foi retirado da cartilha “Consumismo Infantil: na contramão da sustentabilidade”, lançada pelo Ministério do Meio Ambiente. O material é voltado a crianças, pais e professores e o objetivo é provocar uma reflexão sobre os valores que estão sendo transmitidos às novas gerações.

Para quem tem filhos, a responsabilidade é grande. “Ninguém nasce consumista. O consumismo é um hábito que se forma a partir de valores materialistas”, informa, em outro trecho, a cartilha.

Portanto, cabe aos pais preparar os pequenos para lidarem de forma consciente com o consumo. “Em primeiro lugar, os pais devem deixar muito claro que o valor da vida não se restringe ao ato de comprar. Não é o que consumimos que nos torna mais ou menos felizes”, orienta o administrador de empresas Carlos Afonso, pós-graduado em Gestão Empresarial e em Administração Financeira pela Escola Superior de Administração de Negócios – Centro Universitário da FEI.

Segundo o especialista, outro aspecto importante da educação financeira é mostrar aos filhos, de forma clara, a realidade do orçamento da família. E, sempre que for necessário, negar um pedido deles. “Existem pais que, para agradar os filhos, jamais dizem não. Só que eles estão passando aos mais jovens uma noção completamente distorcida da realidade e as crianças irão crescer acreditando que os recursos da família são ilimitados”, explica.

Afonso reforça, ainda, a importância de que a criança seja ensinada, desde cedo, a fazer escolhas. “Ela precisa aprender que, na maioria das vezes, temos que fazer opções, inclusive a de não consumir”, diz Carlos.

Seu filho é consumista?  

Mas para saber até que ponto o seu filho precisa de limites e atenção, vale a pena observar alguns comportamentos dele:

  • O passeio predileto do pequeno é o shopping?
  • Ele sempre gasta além do estabelecido ou oferecido como mesada?
  • A criança pede coisas que depois não utiliza?
  • Ela está acostumada a voltar para casa sempre com algum item novo, toda vez que sai?
  • Quando questionada sobre o que deseja ganhar, sempre pede presentes caros?
  • Ela dá mais valor às roupas e aos brinquedos de marcas conhecidas?

Se você respondeu “sim” a pelo menos três das perguntas acima, é bom ficar ligado e intervir o quanto antes. Mas não adianta apenas dizer o que precisa ser mudado. “Se você deseja um determinado comportamento do seu filho, não se esqueça de dar o exemplo”, lembra a pedagoga Andrea Deis, coaching empresarial e pessoal pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Além disso, é interessante propor programas de lazer que não envolvam consumo, para que a criança não associe, automaticamente, uma coisa à outra.

Por fim, é função dos pais ensinar que há uma grande diferença entre desejo e necessidade. “Não atenda a todas as vontades do seu filho, negocie com ele. Assim, você estará ensinando a ele valores mais verdadeiros, o que vai fazer toda a diferença na formação do caráter”, diz Andrea.

Tags: consumismo crianças economia

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