Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Neste dia, o mundo azul rompe as barreiras do preconceito e luta por mais respeito

Hoje, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Os transtornos do espectro autista (TEA) trazem uma série de características que variam de um grau para o outro, como maior ou menor limitação na comunicação, seja linguagem verbal e/ ou não verbal; na interação social e nos comportamentos caracteristicamente estereotipados, repetitivos e com gama restrita de interesses.

De acordo com o Centro para Controle e Prevenção dos EUA, uma em cada 68 crianças é diagnosticada com algum tipo de transtorno do espectro autista. Para esclarecer alguns mitos sobre o transtorno, entrevistamos Liliam Luiza, pedagoga com aptidão autorizada pela SEDF para atuar em classes especiais. Ela trabalha há 7 anos com alunos autistas.

O autismo aparece nos primeiros anos de vida e o diagnóstico ainda é um desafio a ser vencido. “O diagnóstico do autismo ainda demora muito para sair no Brasil, porque antes surgem outros diagnósticos. Acaba que o autista sofre, porque eles têm sim uma dificuldade de socialização, e enquanto não descobrem, eles são colocados em uma sala com muitos alunos e ficam prejudicados por terem uma audição mais sensível”, explica.

Direitos no Brasil

A Lei 12.764/12, conhecida como Lei Berenice Piana, é a lei que prevê a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e foi a primeira a considerar o autista uma pessoa com deficiência.

Segundo o Ministério da Saúde, as pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) podem contar com atenção integral no SUS, como atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nas suas diversas modalidades; Unidades Ambulatoriais Multiprofissionais (AMENT); Serviços residenciais terapêuticos e Unidades de Saúde Mental em Hospitais Gerais e Hospitais Psiquiátricos Especializados

Na educação, eles têm direitos a classe especial, monitor e educador social que sejam específicos para o autismo.

Além disso, os autistas têm direito à vaga especial no estacionamento público, privado e na área azul, mesmo que não sejam os condutores do veículo; podem adquirir veículos com isenção de IPI, ICMS e IPVA, não é necessário que sejam condutores, desde que haja indicação de três condutores habilitados; prioridade no atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público, sejam públicos ou privados; entre outros direitos.

Vencendo estereótipos

Um dos primeiros passos para lidar com o autismo é abrir mão de estereótipos pré-estabelecidos pela sociedade. “Quando se fala que o autista vive num mundo aparte, essa expressão se torna um pouco pejorativa, porque o autista faz parte do nosso mundo. Além de respeitar, a gente tem que trazer a criança com autismo para o nosso mundo, parar de colocar o estereótipo de que ele não socializa, de que quando ele não olha no olho é porque ele não quer ser incomodado”, exemplificou a pedagoga.

“Esse dia 2 de abril é um dia de luta para que as pessoas conheçam sobre o autismo e, a partir daí, acabem com esse preconceito. O mundo autista, esse mundo azul que a gente tanto fala é um mundo maravilhoso. Eu amo ser professora de autista, eu amo os meus príncipes azuis. E que não seja somente mais um dia, que seja um dia de luta e de vitória”, evidencia Liliam.

A pedagoga ainda acrescenta: “eles precisam ser vistos como pessoas que sentem, que amam, que precisam de carinho e que acima de tudo precisam de respeito”. Por isso, buscar informação, discutir e entender melhor sobre o autismo é um dos objetivos a serem alcançados.

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