Dificuldade para poupar atinge humanidade há gerações

Estudos mostram que nossas emoções são as raízes de nossas decisões em relação ao dinheiro

Termos como Psicologia Econômica, Economia Comportamental, Finanças Comportamentais e Neuroeconomia ainda são desconhecidos para a maioria das pessoas, mas já existem muitos pesquisadores dedicados a entender, com maior profundidade, as relações entre as nossas emoções e os nossos hábitos de consumo. E pasme: os cientistas estão descobrindo que, para muita gente, a dificuldade de poupar pode estar relacionada a sentimentos (e até a traumas) escondidos no fundo de nosso subconsciente, muitas vezes adquiridos na primeira infância.

“Tudo o que fazemos, todos os comportamentos e escolhas, estão ligados ao emocional. Assim, as emoções também são as raízes de nossas decisões em relação ao dinheiro”, diz Vera Rita de Mello Ferreira, autora do livro “Decisões econômicas: você já parou para pensar?” (Editora Évora) e professora de psicologia econômica.

Para a professora, a origem da dificuldade de poupar pode ser encontrada em sentimentos que nasceram há milhares de anos, entre nossos ancestrais.  Ela explica que o ser humano está sempre buscando satisfação imediata de suas vontades. “Não conseguimos esperar muito ou adiar a vontade de satisfazer nossos desejos. Isso vem dos nossos ancestrais, que tinham pouco tempo de vida. Vivemos hoje como se não houvesse amanhã. Ainda não conseguimos incorporar, de fato, a ideia de que vamos viver mais do que pensamos”, afirma a professora. Por isso, entre comprar – satisfazendo o desejo de consumo – e poupar, a maioria das pessoas tende a escolher a primeira opção.

Para resistir a esse impulso, Vera propõe o que chama de “musculação emocional”: um treinamento de autocontrole para evitar gastos desnecessários. Na prática, isso implica em pensar nas ações do dia a dia, em estipular metas e em fazer planos para o futuro. “Para começar, procure adiar suas compras: ao ter vontade de comprar algo, deixe para o dia seguinte. Aí você terá tempo e vai poder pensar uma segunda vez na necessidade daquele gasto”.

Crianças que têm limites hoje vão poupar mais amanhã
A psicóloga Patrícia de Rezende, especialista em Psicologia Financeira e professora de projetos educacionais da Bolsa de Valores de São Paulo, diz que é essencial educar as crianças a desenvolverem a capacidade de lidar com as frustrações. “A criança precisa ser educada com limites, aprender a dividir e esforçar-se, desde cedo, a concluir pequenas tarefas. Todo esse processo lhe causará frustrações, necessárias para que o amadurecimento ocorra”. Segundo a psicóloga, o processo de economizar é sempre uma frustração. É preciso abrir mão do prazer imediato com vistas ao futuro.  E para aprender a ter esse comportamento – tão contrário à nossa própria natureza – o único antídoto realmente válido é a educação, que deve começar desde cedo.

*Os conteúdos deste portal têm caráter informativo e são produzidos pela empresa Engrenagem Virtual; não refletem necessariamente uma recomendação da Entidade.

Tags: comportamento educação financeira finanças

Veja mais