Hiperinflação: como ela pode atingir suas finanças

Situação já aconteceu várias vezes durante a história e causa medo em muitos países

Em 1946 a Europa começava a reerguer-se dos escombros da 2ª guerra mundial e a Hungria estava em maus lençóis. Devastada pela destruição causada pelos combates entre nazistas e soviéticos dentro de seu território, o país perdeu metade de sua capacidade industrial e caminhava rumo a uma nova grande crise econômica.

Há pouco tempo estabilizada economicamente dos eventos da primeira grande guerra, a Hungria precisou recuperar-se de uma nova catástrofe. Para estimular a economia do país, o governo Húngaro decidiu imprimir novas cédulas para impulsionar o mercado local. Somado a isso, havia o fato de que os húngaros receosos com a guerra desde o seu início habituaram-se a guardar dinheiro e, com o fim dos conflitos, eles “saíram às compras”.

O resultado foi uma nova hiperinflação. Com a altíssima quantidade de cédulas em circulação, o dinheiro naturalmente perdeu o seu valor, forçando o comércio a subir os preços. Notas  de 1 bilhão e 1 trilhão chegaram a ser criadas e a taxa de inflação diária no país chegou a atingir 207%.

Mas afinal, qual a definição de inflação?

A inflação nada mais é do que a perda do poder aquisitivo de uma moeda ou o aumento generalizado dos preços de mercado. Esse fenômeno pode ser causado em tempos de grande crise, como no exemplo citado da Hungria em 1946, mas também pode ocorrer em situações menos caóticas.

É comum dizer em economia que não deve-se guardar dinheiro por muito tempo, deixá-lo parado, pois ele perde seu valor. É uma tendência natural, com o passar dos anos o dinheiro acaba por perder o seu valor, ou seja, o seu poder aquisitivo.

Motivos causadores da inflação

Há vários fatores que causam a inflação em uma nação. Utilizando novamente o exemplo da Hungria, podemos citar dois fatores. Como os húngaros guardaram uma grande quantidade de dinheiro durante o período da guerra, ao fim dela, eles puderam gastá-lo. Contudo, eles esbarram com um problema: todos haviam poupado dinheiro e não havia produtos suficientes no mercado para suprir toda aquela demanda. Além disso, o governo distribuía dinheiro na tentativa de impulsionar a economia do país. Ou seja, o excesso de dinheiro em circulação e a alta demanda para a pouca oferta.

Além disso há o consumo excessivo, que pode ser estimulado pela facilidade de crédito. No caso do Brasil, não faltam opções de bancos que oferecem cartões de crédito mesmo que o seu nome esteja negativado por inadimplência. O dinheiro vai embora assim que chega na sua mão.

Outros fatores como gastos excessivos do governo, inércia, variação cambial e aumento generalizado nos custos de produção também podem impulsionar a inflação.

Mas como se proteger em casos de alta inflação?

Em 2016, a BBC publicou valiosas dicas de educação econômica que podem servir de proteção ao dinheiro em tempos de alta na inflação. Algumas dicas são simples, mas vitais. A primeira delas é pesquisar preços. Nos anos 80 e 90 no Brasil essa prática era mais difícil, já que os preços mudavam completamente no mesmo dia devido a altíssima inflação vivida pelo país.

Porém, com a situação econômica atual e a facilidade com que a tecnologia nos proporciona, a pesquisa de preços se tornou mais essencial do que nunca para driblar problemas causados pela inflação. Aplicativos como o Buscapé e o Zoom facilitam principalmente no que diz respeito a comparar preços.

Além disso, negociar também pode ser uma prática aliada. Apesar de não ser possível pechinchar o preço de produtos tabelados de um supermercado, por exemplo, o consumidor pode optar por comprar em mercados populares e feiras, no qual os descontos são mais fáceis de serem negociados com o comerciante.

Substituir itens caros por mais baratos ou por marcas mais populares também é uma prática importante para economizar dinheiro em tempos de crise financeira. Estocar produtos baratos é outra dica apresentada por economistas.

Poupar grandes quantias pode não ser interessante se levarmos em consideração a desvalorização do mesmo com o passar dos anos, mas aplicá-lo em investimentos simples é boa alternativa para driblar esse problema. Há 10 anos atrás, investir em imóveis era uma excelente aplicação. Hoje, porém, as perspectivas ruins para o crescimento da economia frearam esse tipo de aplicação.

Entretanto, diante da alta volatilidade da economia atual, analistas financeiros recomendam a alternativa de investimentos de renda fixa, como o Tesouro Selic, vendido pelo sistema de Tesouro Direto, o LCA, o LCI e o CDB, que são investimentos apontados como mais seguros.

Em tempos de incerteza, é bom ter muito cuidado com o dinheiro. Não gastar desenfreadamente, mas também não fazer como os húngaros, guardar por um grande período dentro de casa. Investir, neste caso, é a melhor opção.

 

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