Mitos sobre a caderneta de poupança

Entenda os riscos e como a inflação pode influenciar a rentabilidade

As cadernetas de poupança são o meio mais popular de se guardar dinheiro no Brasil. E é fácil entender o porquê. “As pessoas depositam valores com a frequência que desejarem, com um valor inicial muito baixo, que varia de acordo com o banco, havendo casos em que não há valor mínimo para depósito”, diz Yuri Carvalho Fratelli, professor de Administração e Finanças da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação. Apesar da popularidade, muito do que se fala sobre a poupança não é verdade. Confira alguns dos mitos mais comuns sobre a caderneta.

“Poupança é um bom investimento”
Ao contrário do que muita gente pensa, a poupança nem pode ser considerada um investimento. “Como o próprio nome diz, ela é apenas uma forma de poupar, ou seja, de guardar dinheiro. Sua rentabilidade deixa isso muito claro”, diz Yuri Fratelli. Ele explica que, se considerarmos a maior rentabilidade possível da poupança e os índices de inflação no Brasil, o máximo que a poupança consegue fazer é uma correção monetária, ou seja, proteger o dinheiro da perda de valor causada pela inflação, restando um ganho real irrisório. “Isso quando não houver perda real de valor, nos casos em que a inflação esteja maior que o rendimento da poupança”, alerta o professor.

“Poupança é aplicação livre de risco”
“Não existe investimento livre de risco”, declara Yuri Fratelli. Mesmo a poupança que apenas corrige o valor guardado possui algum risco, ainda que baixo. Segundo o professor, o risco de maior dano é a falência da instituição bancária onde o dinheiro está guardado. Para esses casos, existe o Fundo Garantidor de Crédito, que assegura, em caso de quebra do banco, o recebimento de saldos de até R$ 250 mil. A exceção fica por conta da Caixa Econômica Federal, que em caso de falência garante 100% de devolução do dinheiro que o cliente havia aplicado na poupança, independentemente do saldo. Mas se esse risco, mais grave, é incomum, existe outro bem mais próximo dos poupadores: a chance de a poupança render menos do que a inflação – o que significa perda de dinheiro.

“Como garante liquidez imediata, não se perde nada ao retirar o dinheiro da poupança em nenhum momento”
Segundo a economista Selma Culturati Vasquez, professora do curso de Gestão Empresarial da Fundação Instituto Administração, sempre que se faz uma retirada parcial, os juros do mês serão calculados pelo menor saldo que o poupador teve durante aquele mês. Além disso, caso retire o seu dinheiro dias antes do depósito do rendimento do mês, também deixará de receber juros sobre aquele valor da retirada, pois o cálculo dos juros é realizado sempre sobre o menor valor do saldo mensal.

Tags: finanças investimentos planejamento financeiro Selma Vasquez Yuri Fratelli

Veja mais