Portabilidade de crédito imobiliário: conheça as vantagens

Com as taxas de juros em queda, a portabilidade alcança público que deseja economizar

Atraindo milhares de pessoas com dívidas em instituições bancárias, a portabilidade de crédito imobiliário é uma boa opção para quem deseja negociar e pagar valores mais baixos.

Essa negociação se dá quando a instituição credora não proporciona condições atrativas para quem possui a dívida com ela.

Imagine o cenário: você tem um financiamento com taxa a 11,37%, e o mercado oferece em torno de 7 a 9%. A credora atual não permite negociar, porque não está em atraso, nem pode diminuir a taxa. É aí que a portabilidade surge.

Em legislação alterada do Banco Central em 2013, foi regulamentada a portabilidade de crédito, que consiste na transferência de dívidas de um banco para outro que possui juros menores que os contratados.

No ano passado, essas mudanças movimentaram cerca de R$ 585 milhões, segundo o Banco Central. Os dados apontam que 1.469 pessoas substituíram suas credoras, resultando em alta de 1.155%, em relação a 2017.

O superintendente executivo de Negócios Imobiliários do Santander, Fabrizio Ianelli, afirma que “o crescimento das migrações refletiu a redução de taxa de juros”.

Se você não anda satisfeito com as taxas que vêm pagando do seu financiamento, confira as vantagens dessa negociação:

Novo financiamento

Antes de fazer a substituição, é preciso tentar negociar na sua credora atual. Caso não haja sucesso, avalie se a credora pretendida oferece pelo menos 0,25% a menos do que a atual. É importante salientar que a portabilidade não pode ser cobrada em nenhuma das instituições, mas a operação possui custos (avaliação do imóvel e registro no cartório), que podem chegar a quase R$ 2 mil.

Como tudo o que envolve dinheiro, o planejamento é essencial para calcular se o novo financiamento vale ou não pena. Observe as taxas de juros e as de administração cobradas pelo novo banco. Veja, especialmente, o Custo Efetivo Total (CET) para definir a transferência.

Obrigatoriedade para transferir conta

Não é necessário abrir uma nova conta na instituição, a menos que você considere, financeiramente, produtos e serviços mais vantajosos da nova instituição.

Por outro lado, o educador financeiro José Vignoli alerta: “vale sempre avaliar o relacionamento que existe entre você e o seu banco atual, e as eventuais vantagens que podem ser perdidas com a realização de uma portabilidade. Não adianta ganhar de um lado e perder de outro”, afirma.

Burocracia X recompensa

Como já dito anteriormente, há uma certa burocracia a ser cumprida antes de economizar de fato. Daniel Rezende, designer industrial, chegou a esperar três meses para assinar o novo contrato. “É como se fizesse um novo financiamento. Teve até vistoria no imóvel”, relata o designer.

Em contrapartida, a recompensa chegou quando ele viu a economia no bolso: “Passei a pagar 8,9% ao ano, o que representou um desconto de R$ 90 mil no valor a pagar”, diz. “Trocar de banco foi a melhor solução”.

A advogada, sócia da consultoria Akamines Negócios Imobiliários, Daniele Akamine, avalia que “A portabilidade é um trunfo para o consumidor negociar taxas melhores”. Perceba no comparativo a seguir a análise da advogada:

Portabilidade de crédito imobiliário é para todos?

Pessoas que têm financiamentos subsidiados, como os do Minha Casa, Minha Vida, os do Pró-Cotista, e outros que se servem de recursos do FGTS, não podem pedir portabilidade.

Outro aspecto é quando os juros oscilam entre 5% e 9,55% ao ano. Neste caso, percebe-se que a troca de credor pode não ser vantajosa.

Caso você decida fazer a portabilidade, mas encontre dificuldade no processo, entre em contato com o Banco Central, pelo número: 0800 979 2345.