Produto falsificado: o barato que pode sair muito caro

Consumidores sabem da baixa qualidade e justificam a compra pelo preço

Quase 70% dos consumidores brasileiros já compraram produtos falsificados. É o que revela um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz.  Os produtos falsificados mais consumidos são as roupas (representando 39% desse comércio), calçados (22%) e aparelhos eletrônicos (17%).

A principal justificativa para a compra do produto pirata é o preço. Contudo, o que parece vantajoso pode se revelar uma armadilha: a mesma pesquisa aponta que 63% dos consumidores reconhecem que esses itens não possuem a mesma qualidade dos originais. E como se desgastam com mais facilidade e rapidez, levam o consumidor a uma nova compra, em curto período de tempo. “Além disso, a compra e venda de produtos não originais envolve graves riscos para a saúde e meio ambiente, uma vez que tais produtos não são submetidos a controles de qualidade”, destaca Karen Fernanda Araújo de Jesus, advogada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Cavando a própria cova

O fato de que os produtos falsificados não pagam impostos nem sempre sensibiliza os consumidores. Afinal, quem pode dizer, com sinceridade, que adora pagar impostos? Contudo, a atitude seria outra se o consumidor sentisse que o seu próprio salário e qualidade de vida dependem das vendas do produto original. E isso é o que ocorre, de fato, mesmo que o consumidor não seja um trabalhador do setor do comércio.

Afinal, toda a cadeia produtiva do país sofre com a chamada “evasão de receitas”. “O não recolhimento de tributos gera diminuição da oferta de empregos (também na indústria) e dos investimentos governamentais em setores como saúde e educação”, afirma Karen.  “Pode ocorrer até o encerramento de atividades empresariais lícitas, devida ao comércio marginalizado dos produtos falsificados”. Em contrapartida, incentiva-se o crime organizado, que tem estreita ligação com a prática da pirataria.

Legalidade e ética

Quem compra um produto pirata pode responder por receptação, de acordo com o artigo 180 do Código Penal. A pena, em tese, pode chegar a até quatro anos de reclusão. Na prática, você não encontrará com facilidade um consumidor que tenha sido preso por comprar um item falsificado numa barraquinha de camelô. Mas, se a ilegalidade pode ser encoberta, nem sempre é tão fácil esconder a falta de ética da própria consciência. Depois de refletir sobre todas as questões que envolvem o comércio ilegal, será que o consumidor ainda consegue comprar um produto pirata e dormir tranquilamente?

Tags: consumo mercado

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